Fórum Clube de Novos Negócios 2012 – Atuação de Novos Negócios com Foco no Mercado de Farmácias

Durante os próximos meses, publicaremos a cobertura completa sobre o que foi apresentado e discutido durante o Fórum CLNN 2012. Confira como foi a mesa sobre o mercado do varejo farmacêutico.

Abordando o tema “MIPs: Tendências Internacionais e Oportunidades para Novos Negócios”, o Dr. Aurélio Saez, Business and Institutional Relationship Director da ABIMIP (Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição) apresentou um pequeno histórico dos MIPs (medicamentos conhecidos internacionalmente como OTC).
Estes medicamentos, indicados no tratamento de afecções de menor gravidade têm como vantagens, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a diminuição dos custos da saúde no âmbito governamental e pessoal, além de oferecer ao usuário comodidade e rapidez na resolução dos sintomas apresentados. Segundo Aurélio, sem a presença de MIPs, o sistema de saúde teria que aumentar significativamente sua capacidade de atendimento. Além disto, o fato de você ter os medicamentos disponíveis, ao alcance do comprador, induziria a um aumento da competitividade entre os vários participantes do mercado resultando em vantagem para o consumidor.
Outro ponto de destaque neste segmento refere-se à maior lealdade dos usuários às suas marcas de preferência, o que faz com que este mercado seja bastante disputado pelas empresas farmacêuticas. Como exemplo, temos diversas marcas seculares de analgésicos e medicamentos utilizados no tratamento de doenças do trato gastrointestinal que ainda permanecem no mercado.
Este interesse resulta em um mercado forte. Globalmente os MIPs acumularam vendas de US$ 106 bilhões em 2011 com crescimento de 4,4% sobre o ano anterior. Este desenvolvimento foi alavancado, principalmente, pelos países que compõe o Bric. No Brasil o valor das vendas alcançou R$ 15 bilhões com crescimento anual de aproximadamente 12%, superior à taxa de desenvolvimento do mercado total.
De acordo com Aurélio Saez, há uma tendência internacional na ampliação de categorias e indicações de MIPs. Os segmentos terapêuticos que deverão exercer maior influência no mercado referem-se aos medicamentos indicados no tratamento de doenças ligadas ao estilo de vida inadequado, como obesidade e insônia, prevenção e imunidade, energéticos, estimulantes cerebrais e doenças ligadas à poluição ambiental.
Cabe ressaltar que introdução de novos medicamentos neste segmento nunca é automática, sendo necessário o processo de switch (mudança de categoria de prescrição para não prescrição). Para está alteração é necessário um prazo mínimo de cinco anos entre o primeiro registro da molécula e sua chegada ao mercado de venda livre e eventualmente ajustes na dose oferecida para a venda.
Fitoterápicos e Alimentos Funcionais
Dando continuidade às apresentações, a Dra. Rita Ferrari, Head of New Business Development and Medical Scientific Department da Apsen Farmacêutica apresentou o tema “Fitomedicamentos e Alimentos Funcionais: Oportunidade ou Modismo?”.
Destacando que o mercado mundial de fitomedicamentos totaliza US$ 55 bilhões, tendo a Europa como maior participante e o Brasil contribuindo com apenas US$ 400 milhões de participação, Rita Ferrari descreveu peculiaridades do mercado, vantagens e desvantagens, métodos de pesquisa e registro dos medicamentos de origem vegetal.
Segundo a palestrante, é interessante notar que 44% das drogas existentes atualmente têm em sua composição básica ingredientes ativos de origem vegetal ou mesmo moléculas que foram identificadas em extratos vegetais e posteriormente sintetizadas quimicamente. Se levarmos em conta que há 55.000 espécies vegetais ao redor do mundo e o Brasil contempla 22 % da biodiversidade mundial, percebe-se o elevado potencial inexplorado que detemos em nosso País. Além disso, estudo da Organização Mundial de Saúde demonstrou que 80 % da população mundial recorre às plantas medicinais como terapêutica.
Na Europa o ranking de medicamentos mais vendidos conta com o Ginkgo biloba em primeira posição, seguida de Hypericum, Ginseng, Saw palmetto, Echinacea, Valeriana, Garlic, Horse Chestnut, Milk thistle e Hawthorn. No Brasil as três espécies vegetais mais registradas junto a ANVISA são o Ginkgo biloba, Aesculus hippocastanun e Cynara scolomys.
Localmente, novos medicamentos fitoterápicos devem ser testados do mesmo modo que os medicamentos sintéticos. Entretanto, em casos onde já existe um conhecimento prévio do efeito terapêutico do vegetal, que vêm sendo utilizado tradicionalmente pela população, o registro pode ser obtido através do registro simplificado até mesmo pelo sistema de pontuação somando-se a quantidade de estudos publicados em literatura indexada, entre outras fontes de referência determinadas pela ANVISA.
Devido às suas características peculiares, os fitomedicamentos devem ser produzidos com base em extratos vegetais padronizados. Entretanto, esta postura, adotada pela agência sanitária brasileira, assim como algumas outras entidades internacionais correspondentes, não é adotada pelo FDA (Food and Drug Administration). Neste caso, estes produtos são registrados como suplementos alimentares, não sendo, portanto, submetidos ao mesmo processo exigido dos medicamentos.
Foram abordados, ainda, os mitos que existem sobre os fitomedicamentos, que na maior parte das vezes existem por haver uma interpretação equivocada do que seja um medicamento composto por extrato padronizado e um chá feito de plantas, onde não garante a concentração dos ativos responsáveis pela ação terapêutica.
Na sequência, Rita Ferrari apresentou dados que destacam a relação entre hábitos alimentares e ocorrência de diversas doenças como câncer, doença cardiovascular, diabetes, hipertensão, obesidade, etc. Neste cenário foram abordados os alimentos funcionais.
Com grande apelo leigo, estes produtos, caracterizados por propriedades preventivas ou terapêuticas decorrentes de suas características fisiológicas, formam um grupo de adjuvantes no tratamento ou prevenção de diferentes moléstias. Um claro exemplo deste grupo de produtos são os lactobacilos, probióticos utilizados na regulação da flora intestinal.
Por serem considerados alimentos, estes produtos recebem tratamento diferenciado por parte da ANVISA em comparação aos medicamentos, assim como podem estar presentes em um canal de vendas distinto, o supermercado. Dados de 2009 apontam o Brasil como país líder de mercado na América Latina, seguido do México, Venezuela, Colômbia e Chile.
Após as apresentações, o grupo presente debateu os desafios que o novo cenário do varejo da indústria farmacêutica, imposto pela forte participação dos medicamentos genéricos frente aos medicamentos de referência e similares, assim como o papel dos medicamentos isentos de prescrição e fitomedicamentos representam para o segmento industrial farmacêutico. Neste panorama deve ser observada a consolidação das redes de farmácia, assim como o papel do farmacêutico na realização da atenção farmacêutica e orientação dos usuários de medicamentos.

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